o aviador irlandês

pastor de homens

Irrompe pela padaria como um velho louco, os caracóis grisalhos, desgrenhados, aquela forma de andar como se caminhasse sobre vagas enfurecidas, e cada passo fosse uma provação, o olhar entre acabrunhado e crítico em relação aos outros. Nunca se sabe se nos teme, ou nos odeia ou se sente envergonhado, ou nos acha tão inferiores a ele.

Entra e nem sabe se há fila ou não, aproxima-se do balcão, olha para todos os lados, pergunta qualquer coisa à mulher do lado, ela responde-lhe sem lhe fazer muito caso, e ele fica ali, à espera para pedir o pão, como se tudo aquilo fosse um hábito bárbaro de um país que não é o seu, como se acabasse de descer a montanha com a tábua dos mandamentos, e sentisse ainda o bafo quente de Deus no rosto, e agora tivesse de supliciar-se entre a gentalha, e esperar pela meia dúzia de moletes que pediu.

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This entry was posted on Abril 27, 2012 by and tagged , , .

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