o aviador irlandês

Marilyn

A loira Marilyn a bichanar o I wanna be loved by you parece-me um soporífero. O happy birthday, Mr. President, conhecendo-se agora até ao mais sórdido detalhe como foi a relação da actriz com os manos Kennedy, revela-se um tanto patético. Mas este  I’m through with love, essa canção de dor de corno originalmente interpretada em Some like it hot (Quanto mais quente melhor), é uma interpretação fabulosa.

Melancólica, ela anuncia-nos que desistiu do amor, e canta a sua dor num vestido negro, condizente com o seu luto pelas ilusões perdidas, mas com os peitos semi-descobertos. E tão provocante é o seu desconsolo que vemos o desejo no rosto de Tony Curtis, que se lança do quarto para a sala onde ela actua, como se aguilhoado pelo canto da sereia. Tão transparente é esse desejo que esquecemos o vestido dele, o gesto tão feminino da mão que segura a estola, e exultamos com o seu arrojo em saltar para o palco e beijá-la na boca, para espanto e fingido horror dela.

O génio de Billy Wilder, esse alemão que tinha tanto de ácido como de sentimental, foi mostrar-nos a farsa nas emoções mais tumultuosas e o sentimento profundo que pode haver num embuste.

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2 comments on “Marilyn

  1. Pingback: Tony Curtis – One of the last Hollywood Royalty « Sub Rosa (flabbergasted) v.2

  2. luis eme
    Outubro 31, 2010

    mas era apenas um filme…

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This entry was posted on Agosto 5, 2010 by and tagged , , , , , , .

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