o aviador irlandês

Fossem agora os Açores uma jangada de pedra

Não deixa de ter a sua graça que Cavaco se tenha transformado numa paradigmática personagem de Saramago, pequenino e solene na sua pequenez, inconsciente do ridículo das palavras que profere com essa grandiloquência forçada a que não consegue escapar quem desmerece o cargo que ocupa.

Que dizer de um presidente da República que se escusa a comparecer num funeral de um dos artistas de maior projecção internacional do seu país alegando “a importância que para ele tem a palavra dada”, referindo-se à promessa de levar à família de férias aos Açores? E que aproveita para, numa patética tentativa de demonstração de quanto valora a defesa dos interesses nacionais, incentivar o turismo nas regiões autónomas em detrimento de uma saída do país?

Será, sem dúvida, uma mostra da sua capacidade de ser, também enquanto presidente da República, um génio da banalidade, mas é também a triste mostra de um ressentimento mesquinho a que nem a morte do adversário dá tréguas.

Ou talvez não seja mais do que um candidato a Belém que já esgotou as possibilidades de desagradar ao Vaticano, já tão indisposto com as bodas, e que não se pode dar ao luxo de irritar novamente aqueles a quem deve continuar a beijar o anel.

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8 comments on “Fossem agora os Açores uma jangada de pedra

  1. J. M.
    Junho 21, 2010

    Muitíssimo bem dito: que pena os Açores não serem uma jangada de pedra que nos livrasse daquele homem — mas uma jangada que, depois de alijar a “preciosa” carga em qualquer ponto beeeem longe, voltasse ao ponto de origem, claro, que eu gosto muito dos Açores e não lhes desejo más companhias.

  2. Carla Romualdo
    Junho 21, 2010

    tem toda a razão, seria uma pena que os Açores se afastassem para sempre, bastaria que sacudissem a carga e regressassem ao lugar

  3. adao cruz
    Junho 24, 2010

    Sem dúvida, Carla, pequenez, arrepios de ridicularidade, banalidade, ressentimento mesquinho, genuflexão vergonhosa, perda de uma oportunidade única de mostrar inteligência, ainda que a não tenha, ou, se calhar, por não a ter.

  4. Carla Romualdo
    Junho 24, 2010

    Adão, bons olhos te leiam, sê muito bem-vindo a este estaminé

  5. Carlos Loures
    Junho 30, 2010

    knock knock!

    Pode-se entrar?
    Olá Carla!
    Belo T-0, o teu, com vista de mar numa janela, uma outra deitado para uma pradaria… Que milagre, tantas janelas. Felicidades para o Aviador!

    • Carla Romualdo
      Julho 22, 2010

      Muito bem-vindo! Agora ando a limpar a erva do avião, já sabes. Mas parece que o motor ainda não ganhou ferrugem, menos mal.

  6. Carlos Loures
    Julho 23, 2010

    Vim cá vários dias e não estavas. O avião, como te disse, a ganhar erva por tudo quanto era sítio, o aviador, bêbedo como um congro, a dormir. Ainda estive tentado a subir ao cockpit e a procurar pôr a máquina a voar. Uma artrose recente impediu-me de subir e ainda bem, pois cá estás tu. Dá um pontapé no aviador e vê se esse sacana acorda e pára de ressonar. Até os cães da pradaria estão a uivar em resposta. Agora um conselho: limpa a relva, vê se o depósito está cheio, vê o nível do óleo, mas não ponhas cortinas nas janelas.

  7. Carla Romualdo
    Julho 23, 2010

    ROGER. Lá vou eu

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This entry was posted on Junho 20, 2010 by and tagged , , , , , , , .

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